
É uma coisa pequeninha.
Um gesto mínimo na imensidão do dia a dia. Mas para mim significou muito.
Entrei no ônibus toda esbaforida, cheia de sacolas, no fim de uma sexta-feira exaurida de todas as coisas que tinham acontecido na semana.
Coloco o RioCard na leitura lá do trem para pagar a passagem e pah! Saldo insuficiente.
Pensei comigo: “Caramba. Não carregou.”
Passo de novo. E de novo. Nada de validar o crédito. “Motorista, desculpe, vou precisar saltar. Meu RioCard não carregou.”
“Tudo bem, minha senhora. Aguarda o próximo ponto.”
Foi quando a moça se levantou lá de onde ela estava sentada e veio passar o RioCard dela para mim.
Ela encostou o cartão no leitor, a coisinha ficou verde, ela me olhou nos olhos, deu um sorriso e voltou a sentar.
Eu fiquei alguns segundos em choque. Olhando bem para aquela situação, me lembrando de todas as vezes que fui eu que tomei aquela atitude, de fazer o bem sem saber a quem.
Rodei a catraca e agradeci a ela num sorriso.
O melhor de todos os sorrisos que eu tinha. Mas não foi o suficiente para mim. A gratidão naquele momento estava me Transbordando.
Então eu sentei, arranquei uma folha do meu caderno, dei graças a Deus de estar cheia de canetinhas coloridas na bolsa e escrevi numa cartinha improvisada o seguinte bilhete:
“Não sei quem você é…
Mas tenho certeza que somos feitas da mesma matéria: amor!
Muito obrigada por me salvar. Beijos Tati”
Ela desceu num ponto antes do meu. Por isso eu tive a chance de entregar o bilhete em mãos.
Ela sorriu de novo e disse: vou pegar os óculos para ler! Desceu e eu me separei dela com os olhos e óculos grudados no meu bilhete.
Vou te contar: a vida as vezes é linda.
