
Entrei esse ano vibrando um propósito simples, mas que pudesse mudar meu jeito de ver as coisas: que fosse um ano de delicadezas.
Não fiz nenhuma promessa. Estabeleci algumas metas, fiz poucas listas. Mas esse combinado comigo mesma foi profundo: 2025 vai ser um ano gentil.
Saí do ano que passou abatida. Cansada. Parecia que tinha chegado de uma guerra. E tinha mesmo. 2024 foram muitos aprendizados na dor, pouquíssimos no amor. Foi o que precisava ter sido. Mas esse ano eu preciso que seja mais leve. Cada passinho.
Eu sei que cada dia é um dia. E que a gente não controla nada. Mas mesmo aquela filosofia que tanto me representa
“a vida não é o que te acontece, mas o que você faz com aquilo que te acontece”
não precisa ser levada a ferro e fogo. Ela pode ser levada com carinho, calma e compreensão.
Então, mesmo os dias que sejam um atropelo, um nó de marinheiro, uma encruzilhada esquisita ou um soco forte no peito, eu quero lidar com cada um desses desafios com mais cuidado.
Essa é uma decisão. Uma escolha. Quero acolher as vivências difíceis com um abraço. Os aprendizados com uma palavra de afeto. As adversidades com ternura. Respirando. Deixando que elas me atravessem sem medo. Recebendo cada coisa dentro de mim sem pressa nem urgência. Para entender cada uma delas que chega, com mais serenidade. Mais poesia. Quem sabe.
Ano passado eu corri demais. Fiquei nervosa demais. Desesperada demais. Para que? Adiantou alguma coisa toda aquela angústia?
Nada. Só envelheci. Fiquei esvaziada. Oca. Perdi a leveza. A graça da vida. A beleza.
Então está decidido e já começou.
Como?
Recebi agora a pouco a confirmação.
Quando uma joaninha veio voando pela minha janela e pousou em cima da minha escrivaninha.
Isso é o Grande Espírito sorrindo para mim.
Eu sorrio de volta, emocionada. Os olhos enchem d’água. É assim quando a vida flui. Lágrimas são o símbolo perfeito da delicadeza. Amor em forma líquida.
