
Minha vida foi desenhada por alguns marcos históricos que mudaram a minha trajetória para sempre.
São acontecimentos que se transformaram em divisores de água, como o nascimento das minhas filhas.
Ou, o dia que eu conheci a caneta Posca.
Escrevo desde os 16. Tenho mais de 40 cadernos escritos à mão. Bloquinhos, cadernetas, livretos. Tudo que é possível armazenar palavras escritas, eu já tive e guardo todos.
Mas o dia que eu descobri que existia uma caneta que escrevia em COISAS, eu enlouqueci.
Foi como se um universo se abrisse para mim, generoso e especialmente dedicado a satisfazer meus desejos mais profundos de escrever em absolutamente tudo que eu via pela frente.
Foram meses experimentando todas as superfícies possíveis, nos mais inusitados objetos. Eu só pensava nisso e só queria fazer isso. Não foi à toa que nessa mesma época recebi das minhas filhas o carinhoso apelido de A LOUCA DA POSCA.
Mas vamos combinar que para quem quer se expressar, uma folha amarelada de outono recém-caída de uma árvore, parece muito mais poética para absorver uma poesia, do que uma folha em branco.
E foi assim que começaram os objetos que falam. Meu hobby quase esquizofrênico de buscar coisinhas por aí que caibam palavras.
Já escrevi em pedras, telhas, azulejos, folhas, cascas de árvore, pétalas, garrafas, canecas, saboneteiras, tupperware, caixas, chinelos e sei que ainda há tantos lugares para descobrir… esse troço é uma cachaça!
Descobrir a Posca foi como ganhar asas ainda maiores para a minha alma escritora. E isso parece que foi um presente de Deus. Mas não foi não. Foi alguém generoso numa fábrica de canetas em algum lugar do mundo, que entendeu que tem gente doida por aí que precisa se expressar muito além de onde lhe cabe a poesia.
Hoje eu já sei que a Posca é uma das marcas que fabricam essas canetas. Que existem outras tão boas quanto. Mas nenhuma nunca vai ser como a minha primeira canetinha. Igual sutiã. A primeira Posca, a gente nunca esquece.








