
Ano passado fiz uma consultoria com uma moça que trabalhou a vida toda em editoras e hoje ajuda os escritores a se colocarem no mercado editorial, sem precisar de uma editora.
O curso tem 450 aulas online e eu confesso que só fiz 1/3 do processo. Aquilo não é bem um curso, é uma estratégia de guerra. Mas é bonito ver alguém querendo ajudar os sonhadores a terem asas próprias. Eu gostei muito dela.
Num encontro individual ela pareceu gostar muito do meu projeto, mas deixou bem claro que eu jamais o chamasse de biografia. Só pessoas famosas escrevem biografias, disse ela. Outras, de tão famosas que são, acabam tendo outras pessoas escrevendo sobre elas biografias não autorizadas.
Que mundo esquisito, pensei.
Respirei fundo e segui a consultoria fingindo achar tudo muito normal.
– E como eu devo chamar meu livro então? – perguntei.
– De romance. Um romance te dará toda a liberdade de escrever o que quiser. Ficção ou não.
Fiquei com aquela palavra dançando dentro de mim e no final das contas, achei muito chique escrever um romance. Coisa de gente famosa.
Foi então que decidi escrever um romance para existir.
A história de uma menina que não sentia parte do mundo e que por ter ficado tanto tempo, acabou construindo pontes para esse mesmo mundo.
Filhas. Amores. Amigos.
Dom Helder Câmara já dizia:
“Feliz de quem atravessa a vida inteira tendo mil razões para viver.”
Minha biografia vai ser sobre isso. Sobre as razões que me fizeram e me fazem ficar viva.
Um romance biográfico. Afinal, eu sou muito famosa para quem me ama.
Tenho certeza disso.
