Coisinhas Miúdas

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Quero da vida as coisinhas miúdas.

Um bordadinho na fronha. Um doce de abóbora fervendo na panela. Um buquê de flor que as meninas cataram no jardim.

Um bom dia dito com verdade. Um assovio inesperado vindo da janela ao lado.

Quero da vida aquilo que me cabe. O detalhe, o instante, o insignificante.

Quero da vida as coisinhas miúdas.

Uma garoa no fim da tarde. Uma fila de formiga no azulejo. Um silêncio para olhar o mar.

Uma xícara de chá para serenar. Um barulhinho de grilo para dormir.

Quero da vida tudo aquilo que a gente quase não vê. O momento, o fragmento divino do tempo.

Quero da vida as coisinhas miúdas.

Um bilhetinho de amor em papel de pão. Um vento que sacode a cortina. Um gato que se espreguiça no sol. Um sorriso contente. Uma joaninha que vem me visitar.

Quero da vida o que ela me dá de presente. Assim, de repente.

As coisas grandes eu prefiro deixar para os especialistas. Política. Economia.

Tecnologia. Não entendo das coisas grandes. Elas não me cabem.

O que me cabe é aquilo que me cala.

O que achou?